16/11/2017

CCR assume dianteira na disputa pela Invepar

Fonte: O Globo

RIO - A CCR, que tem entre seus controladores a Camargo Corrêa e a
Andrade Gutierrez, assumiu a dianteira na disputa pela Invepar, que tem a
concessão do aeroporto de Guarulhos e do metrô do Rio. Na proposta que
está sobre a mesa, a concessionária carioca seria incorporada pela
concorrente mediante operação que combinaria troca de ações e injeção
de capital. Com isso, segundo fontes a par das negociações, os fundos de
pensão Previ (de funcionários do Banco do Brasil), Funcef (Caixa) e Petros
(Petrobras), que hoje tem 25% na Invepar cada, passariam a ser sócios da
CCR. A empresa precisa de cerca de R$ 800 milhões para resolver seus
problemas de caixa.
Conversas com a CCR se intensificaram nas últimas semanas. Uma das
vantagens da operação apontadas por pessoas que acompanham as
discussões seria dar mais liquidez às ações em poder dos fundos, uma vez
que a CCR já está na bolsa. A fatia de 25% da Invepar que era da OAS e
que hoje está nas mãos de credores da empresa — a empreiteira está em
recuperação judicial — poderia entrar na troca de ações ou ser vendida à
CCR. Na proposta concorrente do fundo árabe Mubadala e da empresa de
infraestrutura francesa Vinci, a participação dos credores seria adquirida
integralmente, e os fundos seriam diluídos, já que seria feito um aporte
pelo consórcio na Invepar. Neste caso, o passo seguinte seria abrir o
capital da Invepar, um caminho mais lento para que os fundos pudessem
ter liberdade de negociar seus papeis na bolsa.
“A principal diferença das duas propostas é a velocidade do acesso ao
mercado de capitais. Mas o que vai definir o vencedor nessa disputa é a
avaliação que cada um faz da Invepar”, disse uma fonte com
conhecimento do assunto.
A Invepar tem 11 concessões, entre elas o Metrô Rio, a Linha Amarela e o
aeroporto de Guarulhos. O tempo médio que ainda resta das concessões é
de 22 anos. Já a CCR tem concessões mais antigas. Duas delas — Nova
Dutra, que administra o trecho da BR-116 que liga o Rio a São Paulo, e
Rodonorte, que administra rodovias no Paraná — vencem em 2021.
Juntas, CCR e Invepar teriam mais de 15 concessões rodoviárias, dois
aeroportos, além de atuação no segmento de mobilidade urbana. Já o
Mubadala herdou parte do espólio do grupo X numa negociação para
equacionar a dívida das empresas de Eike Batista. Entre os ativos do fundo
no Brasil está uma fatia de 48% do Porto Sudeste, em Itaguaí, o hotel
Glória e a empresa de entretenimento IMM (ex-IMX), que também era de
Eike. O fundo é dono ainda do Leblon Executive Tower, prédio de salas
comerciais, no qual passou a ocupar um segundo andar nas últimas
semanas, com a chegada de novos funcionários. A Vinci, por sua vez,
venceu a licitação do aeroporto de Salvador no início deste ano.
A Invepar acumula prejuízo de R$ 239 milhões até setembro, segundo
balanço divulgado na terça-feira passada. A empresa, vista como
promissora, se endividou para vencer leilões recentes na expectativa de
que faria uma oferta de ações para levantar R$ 3 bilhões e honrar os
compromissos. Com a crise econômica, no entanto, não conseguiu acessar
o mercado de capitais. A Lava Jato piorou a situação do grupo, ao colocar
a OAS na mira das investigações.
Invepar, CCR e Mubadala não se manifestaram. Funcef, Previ, Petros e
OAS também não fizeram comentários.