19/02/2018

Reforma tributária nos EUA faz crescer lucro de companhias

Por Alexandre Melo | De São Paulo

Fonte: Valor Econômico

A Kraft Heinz, controlada pelo fundo brasileiro 3G Capital, reportou lucro
líquido recorde de US$ 11 bilhões em 2017, três vezes superior aos US$ 3,63
bilhões verificados em 2016. Grande parte do ganho foi decorrente de
legislação tributária que entrou em vigor em dezembro nos Estados Unidos.
A nova regra reduziu de 35% para 21% a alíquota de imposto de renda pago
pelas empresas.
Somente essa mudança fiscal foi responsável por impacto positivo de US$
7 bilhões nos ganhos do quarto trimestre da Kraft Heinz, fazendo com que
o lucro líquido do período atingisse US$ 8 bilhões, alta de 8,5 vezes ante os
US$ 944 milhões do mesmo trimestre em 2016.
David Knopf, diretor financeiro da fabricante de alimentos, afirmou que
desde que as alterações fiscais entraram em vigor, foram realizados
investimentos estratégicos de US$ 300 milhões e as despesas de capital
para melhorar o negócio somaram US$ 800 milhões. A expectativa é de que
a nova lei colabore para o crescimento das vendas neste ano.
Considerada a maior redução de impostos dos últimos anos, a reforma tem
como objetivos aumentar o lucro das empresas, repatriar os ganhos das
multinacionais, aumentar os salários dos trabalhadores e acelerar o
crescimento da economia americana. A intenção do governo americano
com a medida é que as companhias invistam mais nos EUA.
Outras empresas do setor de consumo que tiveram seus lucros beneficiados
pela reforma tributária entre outubro e dezembro foram Procter & Gamble
(P&G), Unilever, Avon, J.M. Smucker e Nestlé. Dona da marca de sabonete
Dove e do sorvete Ben & Jerry's, a Unilever informou nos resultados um
ganho de US$ 578 milhões oriundo da nova lei.
Dona de marcas como Dunkin' Donuts, a J.M. Smucker teve lucro líquido de
US$ 1,15 bilhão no ano passado, alta de 2,4 vezes em relação a 2016. Esse
resultado inclui um ganho de US$ 765,8 milhões da recente reforma
tributária. Devido ao benefício, o conglomerado anunciou a distribuição de
bônus excepcional de US$ 1 mil aos quase 5 mil funcionários, além de um
depósito de US$ 20 milhões no fundo de pensão.
A gigante P&G, sediada em Cincinnati, também informou que a mudança
na legislação gerou créditos fiscais líquidos de US$ 135 milhões, sendo que
esse benefício poderá aumentar no futuro até que a taxa de imposto de
renda de 21% seja totalmente adotada. Para o exercício do ano fiscal que
termina em junho de 2018, a fabricante de bens de consumo estima que o
imposto esteja ao redor de 28%.
No caso da suíça Nestlé, é esperada uma redução nas despesas fiscais
corporativas nos Estados Unidos de aproximadamente 300 milhões de
francos suíços por ano a partir de janeiro de 2018. A alteração na alíquota
do tributo ocasionou um ganho pontual de 850 milhões de francos suíços
no ano passado.
Por fim, a fabricante de cosméticos Avon reconheceu no quarto trimestre
valor líquido de US$ 30 milhões decorrente do benefício fiscal aprovado em
dezembro.
O conglomerado Kraft Heinz, criado em 2015 após acordo de US$ 100
bilhões capitaneado pela 3G Capital e pelo megainvestidor Warren Buffett,
continua em busca de empresas para fusões ou aquisições.
Bernardo Hees, presidente da Kraft Heinz, disse na sexta-feira, ao comentar
o balanço de 2017, que a companhia busca marcas fortes, com alcance
internacional e escala para participar da consolidação da indústria. "Somos
capazes e queremos participar da consolidação da indústria", afirmou Hees.
Em fevereiro de 2017, a empresa controlada pela 3G e pelo megainvestidor
Warren Buffett, fez uma proposta de fusão à Unilever no valor de US$ 143
bilhões, que foi rejeitada pela gigante de consumo.
Para 2018, a Kraft Heinz pretende reduzir em 41,2% os investimentos em
bens de capital em relação ao ano anterior, para US$ 850 milhões. A
companhia prevê vendas mais fracas no primeiro trimestre deste ano
devido à forte concorrência e à falta de alguns produtos congelados.