03/05/2018

Pressionadas, empresas preveem queda de 7,4% nas exportações de aço semiacabados

Por: Nicola Pamplona

Fonte: Folha de S. Paulo

Pressionadas, as siderúrgicas brasileiras decidiram aceitar a imposição de
cotas de exportação para os Estados Unidos em troca da eliminação de
tarifas adicionais. Com isso, as exportações de aços semiacabados cairá
7,4% em relação ao volume de 2017. Já no caso de acabados, haverá
redução entre 20% e 60%.
Em entrevista nesta quarta (2) para anunciar a decisão, o presidente do
Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, disse que o setor não
tinha alternativas e cobrou medidas do governo federal para evitar que o
Brasil seja o destino de novos excedentes globais de aço que surgirão após
a implantação das restrições americanas a importações.
O acordo proposto pelos Estados Unidos prevê cota de importação de aço
semiacabado, que é processado em siderúrgicas americanas, equivalente
ao volume médio importado entre 2015 e 2017. Já no caso dos acabados,
que são produtos finais, usados por outras indústrias, a cota prevê um
redutor de 30% sobre a média dos mesmos anos.
Assim, segundo cálculos do IABr, o Brasil poderá exportar 3,5 milhões de
toneladas de semiacabados por ano, 7,4% a menos do que em 2017. No
caso dos acabados (tubos, vergalhões, aços planos e aços especiais), serão
496 mil toneladas.
O IABR não informou o quanto cairá a venda de cada grupo, dizendo
apenas que os menos prejudicados perderão 20% e os mais, 60%.
"Neste momento, o Brasil já está operando com um fator de utilização
muito baixo, em torno de 68%, quando o razoável seria 80%, e a exportação
continua sendo vital", disse Mello Lopes, ressaltando que cerca de 1/3 das
exportações brasileiras de semiacabados são destinadas aos Estados
Unidos.