12/12/2017

Oi apresenta novo plano de recuperação à Justiça

Por Graziella Valenti | De São Paulo

Fonte: Valor Econômico

Eurico Teles, que assumiu a presidência da Oi há cerca de duas semanas,
está determinado a apresentar um novo plano de recuperação judicial para
a empresa, hoje, na 7ª Vara empresarial do Rio de Janeiro, onde corre há
18 meses o processo de R$ 64 bilhões da companhia.
Até a noite de ontem, a Oi ainda tentava conseguir o compromisso de
fundos de investimento (detentores de títulos de dívida da empresa) para
aporte de R$ 4 bilhões em dinheiro novo e apoio ao plano em assembleia
de credores. Mas o plano deverá ser apresentado hoje, com ou sem esse
compromisso.
As negociações com o principal grupo de credores privados, detentores de
R$ 22 bilhões em dívida e organizados pelos assessores G5/Evercore e
Moelis & Company, se intensificaram no meio da semana passada e
avançaram pelo fim de semana.
O clima ontem à noite era de otimismo de ambos os lados - Oi e credores -
na expectativa de apresentação de um plano com apoio dos fundos para
aporte de novos recursos e sucesso em assembleia. Mas, havia pontos de
divergência, principalmente em relação ao tratamento a dívidas bancárias.
A participação final dos detentores de dívida no capital da Oi, após
conversão dos compromissos em ações e aporte de dinheiro novo, deve
ficar entre 70% e 75%. Até antes dessa rodada de conversas, o grupo G5 e
Moelis não tinham feito concessão quanto à fatia que buscavam no capital
da Oi, que começava com 88% e ia até 95%.
O pagamento das taxas dos credores pelo aporte será feito em ações, de
forma a preservar o caixa da Oi na largada, e ampliar a participação final
dos credores no capital da companhia.
"Agora, é todo um novo plano", disse uma fonte a par das negociações. "O
tratamento para todos os credores ficou muito diferente do que tem hoje
na Justiça", disse.
A versão registrada atualmente tem estrutura negociada pelo acionista
minoritário Nelson Tanure, que atua como controlador da Oi, junto a um
grupo de fundos credores detentores de cerca de US$ 950 milhões em
bônus, cerca de R$ 3 bilhões.
O juiz da 7ª Vara Empresarial, Fernando Viana, havia nomeado Eurico Teles
como "responsável pessoal" pela negociação e apresentação de um plano
até hoje, para ser levado à assembleia de credores marcada para dia 19.
Com isso, Teles tem autonomia nesse período para negociar, sem
necessitar de aval do conselho de administração - o órgão sobre o qual
Tanure tem ascensão e vinha influenciando o modelo da recuperação para
tentar minimizar a diluição de sua fatia no negócio.
O objetivo de Teles é levar à Justiça uma versão de plano que já traga
perspectiva de aprovação, com solução para as dívidas bancárias e também
com a Anatel. O objetivo é deixar o plano aberto à adesão de todos os
detentores de títulos de dívida que quiserem apoiar a Oi com dinheiro novo.
Mas, com um teto no volume de recursos a ser captado neste momento.
Existe a possibilidade de que até mesmo o grupo que havia negociado com
Tanure apoie o novo plano. Esse grupo era liderado pela gestora Solus,
detentora de US$ 550 milhões em bônus.
Esse grupo vinha tentando sinalizar à Oi que poderia abrir mão de uma
condição precedente que favorecia Tanure: a exigência de que o aporte de
dinheiro novo só ocorreria após aprovação do plano não só na 7ª Vara mas
também num tribunal de 2ª instância.
Como a maior parte da diluição dos atuais acionistas, nesta versão, só
ocorreria após a injeção de novos recursos, Tanure conseguiria manter-se
à frente do conselho da Oi e também tentar vender a companhia - de forma
que o dinheiro novo não precisasse sequer ser aportado e que ele pudesse
'maximizar' o ganho com a venda da tele.