11/12/2017

Lava-Jato devolve à Petrobras R$ 654 milhões recuperados por acordos

Fonte: O Globo

Por Katna Baran

A força-tarefa da Operação Lava-Jato devolveu R$ 654 milhões
para a Petrobras nesta quinta-feira. O dinheiro foi recuperado no último
ano via acordos de delação premiada com pessoas investigadas e acordos
de leniência com empresas que admitiram participar de esquemas de
corrupção. Somando-se ao que foi devolvido nos últimos dois anos, a
Petrobras já recuperou cerca de R$ 1,5 bilhão desde o início das
investigações.
Apesar do resultado positivo, o dinheiro da corrupção que foi recuperado
pela força-tarefa representa 13% do total previsto em todos os acordos já
feitos pelos investigadores de Curitiba e Brasília. Os 163 acordos de delação
premiada e os dez acordos de leniência firmados no âmbito da Lava-Jato
prevêem o retorno de R$ 10,8 bilhões aos cofres públicos.
Presente ao evento de devolução do dinheiro, o presidente da Petrobras,
Pedro Parente, criticou "iniciativas para tentar constranger" a Lava-Jato.
Lava-jato
— A Petrobras foi o tempo todo prejudicada por desonestidade de alguns
poucos executivos em conluio com empresas igualmente desonestas e
maus políticos. Somos a principal vítima de um gigantesco esquema de
desvios de recursos públicos, ímpar no país e infeliz destaque no cenário
mundial. Não deixemos que o tempo decorrido desde o início da operação
esmaeça a percepção dessa incomensurável contribuição, especialmente
quando certos atores começam a propor medidas para tentar constranger
os principais protagonistas desta iniciativa — discursou.
Questionado sobre a quem se referia, tendo em vista que há políticos do
PMDB, partido do presidente Michel Temer, citados na operação e que
mudanças na PF foram promovidas pelo presidente, ele disse que se referia
a outros partidos:
— Não converso com o presidente em relação a outros assuntos, apenas
em relação a Petrobras. E, no cargo, tenho autonomia dada pelo presidente
como nenhum outro nas últimas décadas — disse.
Segundo Parente, não é possível apontar de maneira exata como os
recursos devolvidos serão investidos dentro da estatal, já que eles se
somam ao caixa da empresa como um todo.
— Há um trabalho duro para reduzir a dívida da empresa e recuperar sua
reputação — afirmou.
AJUDA DAS DELAÇÕES
Já o procurador Deltan Dallagnol disse que esta quantia é pequena perto
do que está para ser recuperado.
— Esta é uma amostra do que está por vir se as investigações puderem
continuar. É uma árvore frondosa que cresce no deserto, num ambiente
hostil, em que pequena parte dos recursos é devolvida. É preciso que o
Congresso Nacional, com o seu trabalho, mantenha isso — afirmou.
Questionado sobre o possível desvio de finalidade da delação premiada, o
procurador afirmou que o instituto é utilizado para maximizar as punições
e garantir a devolução de recursos.
— As colaborações, são, de longe, o melhor instrumento para investigar a
corrupção e ressarcir os cofres públicos. É preciso que o Judiciário preserve
as colaborações premiadas para que a sociedade não fique a ver navios
como no passado — disse.
A devolução desta quinta-feira é a maior já realizada de uma única vez para
os cofres públicos por uma investigação criminal, segundo o Ministério
Público Federal (MPF) do Paraná.