01/07/2019

Lava Jato do RJ prende procurador suspeito de receber propina em obras do metrô

Fonte: Migalhas

 1º, o procurador do Estado Renan Saad.
A operação foi deflagrada após a delação premiada do ex-diretor de
contratos da empreiteira Odebrecht Marcos Vidigal do Amaral. Saad teria
recebido R$ 1,265 milhão em pagamentos relacionados ao metrô do Rio. O
delator disse que o procurador recebeu R$ 300 mil de caixa 2 em troca de
um parecer sobre a Linha 4.
Saad foi preso em casa, em São Conrado, Zona Sul do Rio.
A força-tarefa afirma que, somente da Odebrecht, o governo do RJ recebeu
R$ 59,2 milhões em propinas relativas à expansão do metrô.
A Linha 4 do metrô liga a Zona Sul à Barra, na Zona Oeste, e foi entregue
para os Jogos Olímpicos de 2016.
Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo em maio de 2017 dizia que
o Ministério Público cobrava R$ 3 bilhões por fraudes na Linha 4 do Metrô.
Expansão e propina
De acordo com a investigação, o pagamento seria relacionado a mudança
do traçado das obras do metrô do Rio. Os pareceres emitidos pelo
procurador teriam sido fundamentais para a viabilização das obras do
sistema metroviário.
Os pagamentos foram operacionalizados por meio do Setor de Operações
Estruturadas da Odebrecht, sistema usado pela empreiteira para repassar
propinas a políticos.
Os repasses a Gordinho, como Saad era identificado no sistema, ocorreram
entre 2010 e 2014, segundo aponta a força-tarefa. Um desses pagamentos,
de R$ 100 mil, foi entregue no escritório de advocacia do procurador.
Outra investigação relacionada ao caso apura se mudanças na obra do
metrô causaram prejuízos aos cofres públicos.
Paralisação
As obras da Linha 4 foram iniciadas em março de 2010, pelo Trecho Oeste,
enquanto que as obras do Trecho Sul só foram iniciadas em outubro de
2012.
A previsão inicial de conclusão das obras e a entrada em operação da Linha
4 era o mês de junho de 2016, porém apenas a ligação entre a Barra (Jardim
Oceânico) e Ipanema (Estação General Osório) entrou em operação nesta
data.
A Estação Gávea tinha previsão para estar concluída em janeiro de 2018
(segundo o termo aditivo nº 4), mas até agora não saiu do papel. Um
inquérito civil apura a paralisação da obra.