06/12/2017

Juros devem cair ao menor nível histórico, e especialistas recomendam aplicação de maior risco

Por Rennan Setti

Fonte: O Globo

RIO - O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir, na noite desta
quarta-feira, a taxa básica de juros do país, a Selic, de 7,5% para 7% ao ano
— menor patamar da história —, segundo a expectativa dos economistas
ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central.
Com essa redução, a oitava em um ano, a poupança deve aumentar sua
vantagem competitiva com relação aos tradicionais fundos DI, que cobram
taxas e não contam com a vantagem da isenção de imposto de renda. Mas
diante da rentabilidade menor de todas as aplicações que acompanham os
juros básicos, inclusive a caderneta, especialistas recomendam uma maior
exposição a ativos de risco, como fundos multimercados e ações, para
quem quiser manter retornos maiores.
Segundo simulação feita pela Anefac, associação que reúne executivos de
finanças, a poupança baterá todos os fundos DI que cobram taxas de
administração a partir de 2% ao ano (comum entre os clientes com baixo
volume de recursos nos principais bancos) em todos os prazos de resgate.
Apenas os fundos que cobram taxa de 1% para baixo renderão mais que a
poupança em todos os cenários.
Na Poupança nova — depósitos feitos a partir de maio de 2012 —, o
investidor que colocar R$ 10 mil com a Selic a 7% teria ao fim de um ano
um total R$ 10.490, segundo a Anefac. Em um fundo com taxa de 2% ao
ano, este investidor teria um montante de R$ 10.441.
Diferentemente da poupança, os fundos de investimento sofrem tributação
de imposto de renda, e a alíquota depende do prazo — quanto mais rápido
for o resgate, maior será o percentual descontado. Aplicações com resgate
até 6 meses pagam 22,50% de IR, enquanto investimentos que ficam mais
de 2 anos parados têm alíquota de 15%. Os fundos ainda pagam taxa de
administração, da qual a poupança está a salvo.
É por causa dessa taxa e do imposto que um fundo DI, cuja rentabilidade
bruta deve ser o mais próximo possível de 100% da Selic, pode acabar
perdendo para a poupança, que rende o equivalente a 70% da Selic
acrescidos da Taxa Referencial (a TR, que é quase zero). É essa fórmula que
rege os retornos da cadernetadesde que a Selic caiu a 8,5%, o chamado
"gatilho", que foi criado em 2012. Quando a Selic está acima daquele
patamar, a rentabilidade é fixada em 0,5% ao mês mais TR.
"Quanto à rentabilidade das cadernetas de poupança, mesmo com a
redução da Selic, ela vai continuar se destacando frente aos fundos de
renda fixa pelo fato de não pagarem imposto de renda nem taxas de
administração. Isso deve provocar reduções nos custos das taxas de
administração dos bancos para não perderem clientes", previu Miguel José
Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac, em relatório.
No caso dos CDBs, títulos emitidos pelos bancos cuja rentabilidade costuma
ser atrelada a um percentual do CDI (taxa que acompanha de perto a Selic),
a Anefac observou que o aplicador só baterá a poupança se conseguir um
papel que renda mais que 85% do CDI.
'ELE TERÁ QUE SE ARRISCAR MAIS'
Até o fim de novembro, os fundos DI acumulam rentabilidade média de
9,57% no ano, e a poupança, de 6,16%, segundo cálculos do administrador
de investimentos Fábio Colombo. Com a sucessiva redução da Selic — que
ficou em 14,25% ao longo de quase todo o ano de 2016 —, os patamares
estão muito abaixo dos registrados no ano passado. Em 2016, os fundos DI
renderam, em média, 14,16%, enquanto a poupança obteve retorno de
8,30%. Por isso, os especialistas têm recomendado a complementação da
carteira com ativos de maior risco e, consequentemente, retorno potencial
mais elevado.
— Temos indicado a diversificação com produtos de maior risco, não tem
muito como fugir disso. Isso não quer dizer que o investidor deva se
desfazer dos fundos DI ou da poupança. Ele sempre vai ter que ter
aplicações atreladas ao DI na carteira porque é necessário ter liquidez
(possibilidade de retirar o dinheiro a qualquer momento sem o risco de ter
prejuízo). Mas ele terá que se arriscar mais, sim - explicou Virgínia Prestes,
professora de finanças da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).
Uma das opções, afirmou Virgínia, são os fundos multimercados, que têm
maior liberdade para elaborar suas carteiras. No ano, os multimercados do
tipo livre, o mais popular do mercado, acumulam rentabilidade média de
11,63%, segundo a Anbima, associação que reúne instituições financeiras.