03/04/2018

Juro bancário tem que cair mais rápido, diz Ilan

Por Alex Ribeiro, Juliana Schincariol, Rodrigo Polito e Bruno Villas Bôas | Do
Rio

Fonte: Valor Econômico

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse ontem que a instituição
está trabalhando para fazer os juros bancários caírem de forma mais
acelerada. "As taxas bancárias têm de cair mais rápido", afirmou, durante
seminário "A Retomada do Crescimento", promovido pela FGV, com o apoio
do Valor, no Rio. "Também estamos trabalhando para que concessões
subam mais rápido."
Ele citou estudo publicado pelo BC no relatório de inflação, na semana
passada, que mostra que o spread vem caindo junto com os cortes na taxa
básica, em linha com que ocorreu com os ciclos de distensão monetária
anteriores. Mas ponderou que, apesar do recuo, o custo é alto no Brasil. "O
custo do crédito precisa convergir para algo mais parecido com o resto do
mundo", disse. Segundo ele, os juros bancários devem cair a um patamar
mais baixo, da mesma forma que a inflação, a taxa básica e os depósitos
compulsórios convergiram para níveis mais próximos dos padrões
internacionais.
"Os problemas não nasceram ontem, são de décadas", ponderou. "Mas não
adianta adotar atalhos. O governo anterior tentou ver se puxava na marra
através dos bancos públicos. Não deu certo."
Para o presidente do BC, será necessário insistir na agenda de reformas,
fortalecendo garantias, diminuindo o custo Brasil e assegurando maior
competição no sistema financeiro. "Tivemos uma redução relevante nos
juros do cartão de crédito no ano passado", afirma, citando medidas que
limitaram o uso das linhas rotativas nesse produto. "Estamos aguardando a
autorregulação dos bancos para o custo do cheque especial."
Segundo reportagem do Valor publicada ontem, o peso do spread bancário
sobre a taxa de juros cobrada de clientes e famílias vem aumentando nos
últimos anos. Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
informou que não comentaria o estudo sobre o peso crescente dos spreads
citado na reportagem.
Sobre o projeto de autonomia do BC, Ilan disse que as perspectivas para a
aprovação no Congresso são boas, apesar de 2018 ser um ano eleitoral. "Os
projetos estão avançando, com um mandato muito claro para o BC, que é
controlar a inflação", afirmou. "Entre os 60 maiores bancos centrais do
mundo, somos o único diferente, sem autonomia em lei", disse.
Ilan voltou a alertar sobre os riscos das moedas virtuais, que ele chama de
criptoativos. Segundo ele, os bancos centrais têm alertado que esses ativos
podem dar a falsa impressão de ser moedas. O presidente do BC renovou a
mensagem de política monetária, indicando a intenção de promover um
novo corte de juros na reunião de maio e de fazer uma pausa no ciclo de
distensão a partir de junho.