11/05/2018

Implosão do antigo prédio do IBGE muda o trânsito

Por Rafael Nascimento

Fonte: O Globo

Rio - Cerca de oito mil pessoas em um raio de 150 m², na Mangueira, já se
preparam para a implosão do antigo prédio do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), que será feita na manhã de domingo. Para o
trabalho de derrubada do imóvel, o viaduto da Mangueira e as ruas
Visconde de Niterói e Ana Neri serão interditados de 6h às 8h. Trem e metrô
terão serviços suspensos na hora da detonação. Moradores do entorno
precisam sair de suas casas às 6h e seguir uma série de recomendações da
prefeitura.
Invadido há mais de 20 anos, o prédio do IBGE abrigou cerca de 300 famílias
em condições precárias e, agora, dará lugar à construção do conjunto
habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. Mesmo com todo
esquema de segurança para implosão, vizinhos ao prédio são mais de 20
imóveis no entorno temem problemas estruturais em suas casas. De acordo
com moradores, representantes da prefeitura fotografaram os imóveis para
registro de possíveis danos causados pela demolição.
"Estamos preocupados se a estrutura da nossa casa vai aguentar as
explosões. Temos medo mesmo com a orientação da prefeitura", disse a
moradora Milena Ladeira, de 25 anos.
Há 15 dias, a Secretaria Municipal de Defesa Civil divulga uma série de
recomendações para os moradores. Além de desocupar as casas uma hora
antes do procedimento, é necessário que o registro de gás (botijão) e a
chave geral de energia sejam desligados e as janelas fiquem fechadas. A
prefeitura também pede que carros de moradores não fiquem no entorno
das ruas bloqueadas. Sinais sonoros serão disparados durante a execução
da operação para auxiliar as pessoas.
De acordo com a Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, não
há motivo para preocupação. Um estudo foi feito para que os escombros
caiam em uma área que não tem ocupação. Ainda de acordo com a pasta,
o prédio perto da Rua Visconde de Niterói será demolido a marretadas ao
longo da semana.
Ao longo de 23 anos, Carlos Alexandre dos Santos, 34, o Paulista da
Mangueira, colheu depoimentos de moradores do local e fez vários
documentários sobre a invasão. Segundo ele, em determinados locais do
prédio era impossível caminhar devido a quantidade de lixo. "É preciso
perder um dia das mães para um dia novo nascer no futuro", disse. Os
apartamentos do Minha Casa Minha Vida vão demorar 1 ano e meio para
ficarem prontos e serão destinados às famílias com renda de até R$ 1,8 mil.
A prefeitura vai selecionar os beneficiários.
Alterações de 6h às 8h
Entre 6h e 8h de domingo, os veículos que seguem pela Rua Senador
Bernardo Monteiro sentido São Cristóvão serão desviados para a Rua Ana
Neri e Rua São Luiz Gonzaga. Já os carros que seguem pela Avenida
Marechal Rondon, sentido Centro, não poderão acessar o Viaduto da
Mangueira e deverão continuar pela Avenida Radial Oeste. O acesso à
região de São Cristóvão e Benfica deverá ser feito pelo Viaduto de São
Cristóvão. As linhas de ônibus que passam no local terão seus trajetos
alterados de acordo com o desvio no trânsito.
Após a retirada dos moradores, há dois meses, funcionários da Comlurb
removeram 856 toneladas de lixos do prédio. No anexo, até ontem foram
retiradas 173 toneladas de resíduos.