11/09/2018

Impacto das eleições no câmbio preocupa equipe econômica

Por Gabriela Valente

Fonte: O Globo

BRASÍLIA - A equipe econômica está preocupada com o impacto das
eleições no câmbio. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, a avaliação é que
o dólar, cada vez mais sensível às pesquisas de intenção de voto, tem
espaço para novas disparadas caso algum candidato que não apoie
reformas ganhe força. No governo, há quem veja espaço para a divisa
chegar a R$ 4,40. Mas a expectativa é que ela caia depois de os planos do
presidente eleito ficarem mais claros.
- O dólar já bateu nos R$ 4,20 e pode ir além disso. Pode subir uns 5% além
dessa cotação, a depender das pesquisas, mas não tem fôlego para mais -
afirmou um técnico ouvido pelo GLOBO.
Esse assunto foi o centro da reunião entre os principais banqueiros e o
presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na semana passada. O BC quis
ouvir as perspectivas das instituições sobre o assunto. A avaliação de
interlocutores é que o cenário é mais conturbado do que o observado em
2002. Naquela época, Lula despontava nas pesquisas, e a moeda
ultrapassou R$ 4.
- O cenário está incerto, e o BC queria saber como as instituições estão
olhando para a questão - disse um dos presentes ao encontro.
AS ARMAS DO BANCO CENTRAL
Toda a cautela dos economistas está refletida na pesquisa semanal Focus,
feita pelo BC. De acordo com o boletim divulgado ontem, os analistas
apostam que a moeda americana encerrará 2018 cotada a R$ 3,80. Para o
ano que vem, a estimativa é a de um dólar um pouco mais baixo: R$ 3,70.
Sem intenção de intervir no mercado para estipular o preço, o BC está
disposto a usar seu arsenal apenas para evitar a volatilidade vista nas
últimas semanas. Entre as armas do BC, estão os contratos de swap, que
equivalem à venda com compromisso de recompra de dólares das reservas
internacionais, e, somente em último caso, injeção direta de recursos. Por
enquanto, a ordem é tomar as decisões no dia a dia, de acordo com os
acontecimentos.
Na inflação, a avaliação dentro da área econômica é que o fato de a
economia ainda ser muito fechada impede um contágio maior da disparada
da moeda americana.