21/06/2018

IPCA-15 sobe 1,11% e tem maior taxa para junho em mais de 20 anos

Por Bruno Villas Boas

Fonte: Valor Econômico

RIO - (Atualizada às 10h25) Pressionado pelos efeitos da greve dos
caminhoneiros e pela conta de luz, o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, subiu
1,11% em junho, após registrar alta de 0,14% um mês antes. A taxa repete
a de junho de 1996 e foi a maior variação para um mês de junho desde 1995
(2,25%), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desta forma, o índice acumulado em 12 meses acelerou fortemente: de
2,70% em maio para 3,68% em junho. No primeiro semestre de 2018, o
avanço acumulado foi de 2,35%.
A leitura de junho ficou acima da média apurada pelo Valor Data com 22
consultorias e instituições financeiras, de 0,90% de aumento. O intervalo
dessas estimativas ia de 0,54% a 1,07% de elevação. Para o acumulado em
12 meses, os analistas previam, em média, alta de 3,47%.
Com o resultado de junho, o índice acumulado em 12 meses voltou a ficar
acima do piso do sistema de metas de inflação, de 3% neste ano — a meta
é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para
menos. A referência para o cumprimento da meta é o IPCA “cheio” no fim
do ano.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
(BC) manteve a taxa básica de juros, a Selic, estável em 6,50% ao ano. A
decisão foi unânime e em linha com o consenso do mercado. O Copom
sinalizou que as próximas decisões vão depender do cenário econômico.
Dos nove grupos de despesas que integram o IPCA-15, Transportes se
destacaram, diante da pressão pela crise de oferta de produtos durante a
paralisação dos caminhoneiros. O grupo passou de queda de 0,35% para
elevação de 1,95% entre maio e junho.
Também por uma crise, Alimentação e bebidas tiveram alta média de
preços de 1,57%, após baixa de 0,05% em maio. Dos grupos, foi a maior
contribuição para o resultado do índice no mês, de 0,38 ponto percentual.
Habitação, por sua vez, passou de alta de 0,45% para 1,74% . Nesse caso, o
acionamento do patamar 2 da bandeira vermelha nas contas de luz
pressionou o resultado do grupo, que contribuiu com 0,26 ponto percentual
para o IPCA-15.
Também aceleraram os grupos de despesas pessoais (de 0,14% em maio
para 0,22% em junho) e artigos de residência (de -0,11% para 0,38%).
Vestuário foi o único com deflação em junho, de 0,08%, após acréscimo de
0,52% em maio. Saúde e cuidados pessoas desaceleraram o ritmo de alta,
de 0,76% para 0,55%, assim como Educação (0,11% para 0,01%) e
Comunicação (0,14% para 0,02%).