10/01/2018

IPCA fecha 2017 em 2,95%, a menor alta do indicador em quase 20 anos

Por: Bruno Villas Bôas

Fonte: Valor Econômico

RIO - (Atualizada às 9h58) Num ano de comportamento atipicamente
benigno dos preços dos alimentos, a inflação oficial brasileira, medida pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 2,95% em
2017, abaixo dos 6,29% registrados no ano anterior, informou na manhã
desta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Trata-se da menor alta de preços em quase 20 anos, desde 1998
(1,65%).
A inflação de 2017 ficou acima da média de 2,80% estimada por 25
instituições financeiras e consultorias consultados pelo Valor Data.
Em dezembro, o IPCA acelerou para 0,44%, de 0,28% em novembro. Nesse
caso, a taxa ficou bastante acima da média de 0,31% estimada pelo
mercado. O intervalo das estimativas ia de 0,25% a 0,36% para o mês.
Com o resultado, a inflação ficou abaixo do piso da meta do Banco Central,
de 3% em 2017 — o centro da meta é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto
percentual, para mais ou para menos. É a quinta vez em que a meta é
descumprida desde que o sistema de metas de inflação foi criado, em 1999.
Pela primeira vez, foi descumprida para baixo.
O descumprimento num determinado ano obriga o presidente do Banco
Central, Ilan Goldfajn, a escrever uma carta ao ministro da Fazenda,
Henrique Meirelles, explicando os motivos e apontando as medidas
adotadas para fazer a variação de preços convergir novamente para o
centro da meta.
Em dezembro, a alta do IPCA foi influenciada principalmente pela
aceleração na taxa dos grupos Alimentação e bebidas (de -0,38% em
novembro para 0,54% em dezembro) e Transportes (de 0,52% para 1,23%).
O IPCA mede a inflação para as famílias com rendimentos mensais entre 1
e 40 salários mínimos, que vivem nas regiões metropolitanas de São Paulo,
Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador,
Fortaleza, Vitória, Belém, Brasília, e nos municípios de Goiânia e Campo
Grande.
Preços administrados
Os preços administrados — que incluem contas de luz, combustíveis, gás de
botijão, transportes, plano de saúde entre outros — avançaram 7,99% no
ano passado, desempenho acima da inflação apurada pelo IPCA no período.
De acordo com o IBGE, o maior impacto veio dos planos de saúde, que
ficaram 13,53% mais caros em 2017, com efeito de 0,48 ponto percentual
sobre a formação do índice em 2017. Foi o segundo ano seguido em que os
planos lideraram o impacto.
Os preços da gasolina, por sua vez, avançaram 10,32% em 2017, com
impacto de 0,41 ponto no índice. O combustível ficou mais caro em meio à
nova política de preços da Petrobras, que prevê reajuste quase diário de
preços nas refinarias acompanhando o mercado internacional.
Essa política de reajuste nas refinarias também influenciou o valor do gás
de botijão, que ficou 16% mais alto em 2017, contribuindo com 0,19 ponto
para a elevação de preços.
Na sequência aparece a energia elétrica residencial, que fechou o ano com
alta acumulada de 10,35%, com impacto de 0,35 ponto percentual sobre a
formação do índice no ano. O avanço é resultado do patamar mais alto das
bandeiras tarifárias de energia no ano passado.
Regiões
Sete dos 13 locais pesquisados pelo IBGE para compor IPCA encerraram o
ano passado com inflação abaixo de 3%, o piso da meta estipulada pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN) — o centro da meta é de 4,5%, com
margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os maiores índices foram registrados em Goiânia e Brasília, ambas com alta
de 3,76%. Em Goiânia, o destaque no ano foi a energia elétrica, que subiu
30,54%, e a gasolina, com alta de 15,28%. Já em Brasília, os destaques foram
a gasolina e o ônibus urbano, com elevação de 17,86% e 25%,
respectivamente.
O índice mais baixo foi o de Belém (1,14%), onde as quedas do feijão-carioca
(-46,21%) e do açúcar cristal (-35,62%) ajudaram a conter a taxa.
Em São Paulo, o indicador fechou 2017 acima da média nacional, em 3,63%.
No Rio de Janeiro, o IPCA acumulou alta de 3,03%, conforme os dados do
IBGE.