02/04/2018

Estrangeiras ampliam presença na exploração

Por André Ramalho, Rodrigo Polito e Cláudia Schüffner | Do Rio

Fonte: Valor Econômico

As petroleiras estrangeiras reforçaram, na 15ª Rodada de licitações de
blocos exploratórios, na semana passada, o movimento de aquisições de
ativos no Brasil, iniciado após as reformas regulatórias e a criação de um
calendário plurianual de leilões de óleo e gás. Na licitação de quinta-feira,
as multinacionais do setor se comprometeram a desembolsar mais R$ 5,8
bilhões este ano, na compra de novas áreas de exploração no país, depois
de já terem anunciado investimentos de cerca de R$ 30 bilhões na compra
de ativos no Brasil em 2017.
Ao todo, 12 empresas saíram vitoriosas da 15ª Rodada, sendo dez delas
estrangeiras, a Petrobras e a Queiroz Galvão Exploração e Produção como
representantes nacionais. A americana Chevron e a alemã Wintershall, que
voltaram a adquirir ativos no Brasil depois de anos de ausência de leilões
no país, e a ExxonMobil, petroleira que mais arrematou o maior número de
áreas, estão entre os principais destaques do último leilão.
A Exxon arrematou oito áreas, sendo seis como operadora, e desembolsará
R$ 2,85 bilhões pelos ativos, localizados nas bacias de Campos, Santos e
Sergipe-Alagoas. Nos leilões do ano passado, a empresa já havia marcado o
seu retorno ao país, ao adquirir onze ativos em águas profundas, nas
mesmas regiões, mas a maior parte (sete deles) havia sido arrematada
como não operadora, em sociedade com a Petrobras.
Na 15ª Rodada, a estatal brasileira e a multinacional americana
consolidaram a parceria iniciada no ano passado, mas com algumas
mudanças no modelo de sociedade. Ao invés da parceria 50%/50% firmada
no leilão de 2017, as duas companhias voltaram a se associar em quatro
concessões na Bacia de Campos, mas dessa vez com a presença de mais um
sócio (Qatar Petroleum em dois blocos e a Statoil em outros dois).
Além disso, Exxon e Petrobras dividiram as operações. Ao contrário da 14ª
Rodada, quando entrou como operadora em todos os ativos arrematados,
a estatal brasileira operará duas das concessões adquiridas em sociedade
com a americana, enquanto a multinacional operará as outras duas.
A presidente da ExxonMobil no Brasil, Carla Lacerda, disse que a
participação da empresa na 15ª Rodada demonstra o aumento da confiança
da empresa no Brasil. Segundo ela, a confiança é sustentada pelo potencial
exploratório do país, pelas reformas regulatórias recentes e pela "fortaleza"
das parcerias fechadas nos leilões. "Estamos mais confiantes em
investimentos no Brasil", disse a executiva.
Outros destaques da rodada foram a Chevron e a alemã Wintershall, que
voltam a adquirir ativos no Brasil depois de anos de ausência de leilões no
Brasil. A americana arrematou quatro áreas, sendo uma como operadora,
por R$ 308 milhões. A última vez que a companhia tinha participado de uma
licitação no país foi em 2013, na 11ª Rodada. Já a Wintershall adquiriu, por
R$ 151 milhões, sete blocos, quatro deles como operadora. A empresa
entrou no país em 2001, mas saiu em 2005, após os poços perfurados no
país não terem se mostrado comercialmente viáveis.
"Vamos ter investimentos no longo prazo. Estamos bem preparados para
fazer esses investimentos [nos blocos arrematados hoje] no futuro [...] Vai
haver muitos leilões e possibilidades de 'farm-in' [aquisições]", disse
Gerhard Haase, gerente geral e representante Wintershall no Brasil.
"Queremos construir e manter um portfólio balanceado, por isso temos
áreas que, para nós, são claramente interessantes, em distintas áreas, com
diferentes objetivos", afirmou.
O sucesso nas áreas marítimas não se repetiu nos blocos terrestres, que
encerraram a 15ª Rodada sem oferta
A Qatar Petroleum, figura presente nos leilões do ano passado, voltou a
mostrar interesse no país, com a compra de quatro áreas, por R$ 1,02
bilhão. Statoil (que pagou R$ 972 milhões por quatro áreas); Shell (R$ 235
milhões, por quatro concessões); Petrogal (R$ 110 milhões, por uma área);
Repsol (R$ 88 milhões, por três ativos); BP (R$ 51 milhões, por dois ativos);
e Murphy (R$ 1,4 milhão por duas concessões) também marcaram presença
na 15ª Rodada.
"Foi positivo e acho que tem mais coisa para a gente trabalhar, num
portfólio que já está bem grande", disse André Araujo, presidente da Shell
no Brasil. "Ofertamos pelos blocos que queríamos, nos valores que
queríamos", completou.
"O leilão foi um sucesso e as aquisições fortalecem nossa posição no Brasil
e na Bacia de Campos", destacou Anders Opedal, presidente da norueguesa
da Statoil no Brasil, lembrando que a empresa já está em áreas com
infraestrutura na região da Bacia de Campos.
Entre as demais inscritas, as ausências sentidas foram a chinesa CNOOC, a
Petronas (que mais uma vez se inscreveu, sem participar, de uma licitação
no país), a Premier Oil e a Ecopetrol. A francesa Total foi a única empresa
que fez ofertas, mas não arrematou.
O resultado bem sucedido do leilão de áreas marítimas não se repetiu sobre
os blocos terrestres, que encerraram a 15ª Rodada sem receber nenhuma
oferta. Na avaliação do governo, a ausência de propostas por áreas
terrestres é, em parte, reflexo do programa de venda de ativos da Petrobras
em curso, que compete por investimentos de pequenas e médias empresas.