04/12/2017

Especialista em Recuperações Judiciais aponta erros do processo da Oi

Fonte: TMA

Telmo Schoeler, fundador e Presidente da Orchestra Soluções Empresariais,
e que atua, desde 1989 como consultor e executivo em Recuperação
Judicial, Reestruturação de Empresas e sucessão familiar, considera que a
proposta apresentada nesta terça-feira pela companhia como plano de
Recuperação Judicial não constitui, de fato, um plano. “Plano significa um
elenco técnico, lógico, amplo, sistêmico de ações operacionais,
organizacionais, estratégicas, comerciais, financeiras, de pessoas etc. Não
vi ninguém ligado à OI mostrar ou falar sobre um verdadeiro plano. Como
erro comum cometido no Brasil, chamam de plano o simples somatório de
desconto a ser pedido aos credores, a parcela que lhes será sugerida
converter em capital e o prazo que deverão conceder para que o devedor
quite sua dívida”, diz o executivo que aponta diversos outros erros
cometidos no processo da operadora.
Segundo ele, o plano de recuperação deve anteceder o pedido de
recuperação, e não o contrário. Schoeler considera que, para operações de
reversão e saneamento de empresas, é necessária a execução de um
processo que deve seguir, necessariamente, etapas. “Seu ordenamento é:
percepção do problema; diagnóstico das suas origens e relações de causa e
efeito; desenho do plano de recuperação; dimensionamento dos recursos
necessários para operacionalizá-lo e identificação de suas origens; decisão
de recorrer ao Processo de Recuperação Empresarial (judicial ou extra);
entrada do pedido (se for o caso); submissão do plano à Assembleia de
Credores”, considera.
Outro erro apontado pelo especialista no caso Oi é que o “plano” está sendo
elaborado pelos acionistas. “Isto embute um erro crasso conceitual ao
considerar que aos acionistas caiba opinar sobre sua preferência quanto ao
receituário de ações. Normalmente, as empresas recuperandas já têm
patrimônio líquido negativo ou pelo menos possuem um endividamento
enorme em relação aos seus ativos e à realidade. Ou seja, estão numa
situação de que quem manda é exclusivamente o interesse e a visão dos
credores”, diz. “A título de exemplo, não foi o acionista Eugênio Staub que
deu a solução da Gradiente, nem a Fundação Rubem Berta a da Varig, nem
os acionistas da Cremer ou os da General Motors. Quem precisa exigir um
verdadeiro plano e deliberar sobre sua viabilidade, condições e imposições
são exclusivamente os credores”, conclui.
Outra falha no processo foi, na avaliação de Schoeler, a escolha do
advogado Eurico Teles como presidente da companhia. “Sem nenhuma
conotação ou julgamento pessoal, já que o mesmo certamente é pessoa
íntegra, honesta, dedicada, hábil advogado, tal deliberação se constitui,
novamente num erro técnico no processo de recuperação. Para comandálo,
é necessário alguém com capacidade executiva operacional, amplos
conhecimentos e experiência financeira, mercadológica, humana, sistêmica
etc., com um perfil pessoal capaz de lidar com cenários de crise e stress,
além de totalmente desvinculado do passado da empresa, única forma de
poder tomar, sem emoção, constrangimentos ou conflitos de interesses, as
ações cabíveis para reversão do quadro”, diz o executivo que, em 1989,
trouxe ao país o modelo de gestão interina para a condução de processos
do gênero.
“O gestor e líder desse processo precisa ser um interino, altamente
capacitado, movido exclusivamente pela missão de fazer mudanças,
viabilizar e recuperar, jamais por interesses de uma carreira. E esta missão
tem o prazo que foi dimensionado no plano que lhe deve dar suporte. Nós,
do ramo, costumamos dizer que isto é casamento com data de divórcio
marcada”, afirma. Já a escolha do presidente que conduzirá a recuperação,
deveria caber aos credores. “Se não o fizerem, caberá ao Governo Federal
dar essa definição. É apenas uma questão de quem determinará a
intervenção. Façamos votos que qualquer uma dessas partes cumpra seu
papel com a isenção, correção e capacitação técnica que a gravidade de
uma dívida bilionária requer”, conclui.

Autor: Maurício Palhares
Fonte: Segs