20/03/2018

EUA usam tarifas para criar cerco comercial à China

Por Nikos Chrysoloras e Andrew Mayeda | Bloomberg, de Bruxelas e
Washington

Fonte: Valor Econômico

O governo dos EUA está pressionando países a se aliar com Washington na
oposição às políticas comerciais chinesas, em troca de alívio das tarifas
impostas pelo país sobre o aço e o alumínio importados, segundo uma
autoridade da União Europeia (UE).
Isso sugere que os EUA buscam montar um cerco comercial à China. Esperase
que o governo de Donald Trump anuncie ainda nesta semana sobretaxas
a até US$ 60 bilhões em importações da China.
O Representante Comercial dos EUA, Robert Lighthizer, tem chefiado
negociações pelas quais os países poderão ser excluídos das tarifas já
anunciadas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados pelos
EUA.
Parceiros comerciais dos EUA e empresas americanas estão pressionando
por isenções e exclusões das tarifas, que entram em vigor na sexta-feira.
Nas conversas, Lighthizer formulou cinco condições que os países têm de
cumprir para serem excluídas da incidência das tarifas, disse a autoridade
europeia, que falou sob a condição de que seu nome não fosse divulgado.
A informação também faz parte de um documento da Comissão Europeia
ao qual a Bloomberg teve acesso. Uma segunda autoridade não americana
confirmou as linhas gerais das cinco condições.
São elas: limitar as exportações de aço e de alumínio para os EUA aos níveis
de 2017; empenhar-se contra às diversas políticas comerciais distorsivas da
China; ser mais afirmativo e colaborativo com os EUA no Fórum Mundial do
Aço do G-20; colaborar com os EUA na abertura de processos contra as
práticas chinesas na Organização Mundial de Comércio (OMC); ampliar a
cooperação com os EUA na área de segurança.
O Representante Comercial dos EUA não respondeu a uma solicitação de
comentários.
No dia 8, Trump assinou um decreto que determina a adoção das tarifas,
invocando uma lei raramente usada que lhe concede a prerrogativa de
impor sobretaxas comerciais a fim de proteger a segurança nacional dos
EUA.
Mas ele também usou as tarifas para alavancar outros objetivos. Ameaçou
retirar as exclusões de Canadá e México caso os dois países não aceitem um
novo Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) que satisfaça
os EUA.
Trump convidou qualquer país com o qual os EUA tenham "relações de
segurança" a requerer exclusão, desencadeando um esforço mundial de
lobby para a obtenção de alívio das tarifas.
O premiê da Austrália, Malcolm Turnbull, disse que seu país obteve uma
exclusão. Outros países pleiteiam tratamento semelhante.
A UE se opôs às tarifas do EUA, ameaçando retaliação contra uma lista de
produtos americanos divulgada na semana passada
O esforço de aglutinar aliados para protestar contra as políticas comerciais
de Pequim ocorre num momento em que o governo Trump considera a
adoção de amplas tarifas conta produtos fabricados na China a fim de punir
o governo chinês pelo que é visto pelos EUA como abuso de propriedade
intelectual americana.
Segundo o "The Washington Post", Trump pediu para dobrar o valor das
importações chineses que seriam atingidas pelas novas tarifas a serem
anunciadas possivelmente na sexta-feira, dos US$ 30 bilhões sugeridos por
seus assessores, para US$ 60 bilhões.
Empresas americanas, da Walmart à Amazon, alertaram a Casa Branca que
qualquer ação comercial contra produtos chineses ameaça elevar os preços
dos produtos nos EUA, aumentar os custos de produção no país e afetar o
preço das ações.
Os EUA também estudam adotar restrições aos investimentos chineses
como parte da investigação, de acordo com pessoas familiarizadas com a
questão.
O governo Trump tem criticado frequentemente as políticas econômicas da
China, acusando o país asiático de não realizar as reformas prometidas
quando ingressou na OMC, em 2001.
Depois de Trump ter anunciado as tarifas, o ministro das Relações
exteriores da China, Wang Yii, prometeu uma "reação justificada e
necessária" a quaisquer esforços voltados para a incitação a uma guerra
comercial.
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, dirigiu-se a autoridades
chinesas na reunião do G-20 em Buenos Aires, nesta semana, reiterando a
posição americana de que o comércio global tem de ser livre, leal e
recíproco, segundo uma fonte a par do assunto, que pediu para não ser
identificada já que a discussão é confidenciais. (Com agências
internacionais)