25/09/2018

Dinheiro de leilão pode ser usado para quitar condomínio após arremate

Fonte: Consultor Jurídico

O dinheiro arrecadado em leilão de imóvel pode ser utilizado para quitar a
taxa de condomínio até a data de posse pelo arrematante. A decisão é do
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que aplicou o entendimento do
Superior Tribunal de Justiça de que a responsabilidade pelo pagamento
dessas taxas é de quem exerce a posse do imóvel.
No caso, uma imobiliária arrematou o imóvel que foi a leilão devido a
dívidas do antigo proprietário com o condomínio. O leilão aconteceu em
setembro de 2013, mas a imobiliária somente foi imitida na sua posse em
janeiro de 2015.
Como as taxas de condomínio não foram quitadas nesse período, o antigo
proprietário alegou que elas seriam de responsabilidade do arrematante,
por isso não poderiam ser quitadas com o produto do leilão. A imobiliária,
por sua vez, alegou que, apesar do arremate, o imóvel continuou na posse
do antigo proprietário durante esse período.
Para defender tal tese, a imobiliária, representada pelo advogado Raphael
Cataldo Siston, usou como analogia decisão anterior do Superior Tribunal
de Justiça que trata do tema por ocasião da negociação de imóveis na
planta. No caso citado, o STJ decidiu que o que define a responsabilidade
pelo pagamento das obrigações condominiais não é o registro do
compromisso de compra e venda, mas a relação jurídica material com o
imóvel, representada pela imissão na posse pelo permissionário
comprador.
A 19ª Câmara Cível do TJ-RJ acolheu a tese da imobiliária e reconheceu a
possibilidade de quitar os valores devidos a partir da arrematação com o
dinheiro do leilão até a data que o arrematador tomou posse do imóvel.
Isso porque nesse período o antigo proprietário residiu no apartamento.
"Como a imissão do arrematante na posse só aconteceu muito tempo
depois, a parte agravada é responsável pelas obrigações condominiais
vencidas e não satisfeitas naquele período", explicou a relatora,
desembargadora Valéria Dacheux, sendo seguida pelos demais integrantes
do colegiado.
O antigo proprietário ainda recorreu apresentando embargos de
declaração e recurso especial. No entanto, ambos foram negados. Ao negar
seguimento ao recurso especial, a desembargadora Maria Augusta Vaz
Monteiro de Figueiredo, terceira vice-presidente do TJ-RJ, citou a decisão
do STJ sob o rito dos recursos repetitivos que firmou tese sobre a
responsabilidade pelos débitos condominiais.
Segundo a desembargadora, naquela ocasião, o STJ impôs a verificação da
posse sobre a unidade imobiliária como regra a ser observada para a
aferição da legitimidade passiva para responder por despesas
condominiais.
"Assim, ao reconhecer que o executado permaneceu na posse do imóvel
arrematado até a data de imissão na posse do arrematante e decidir que o
débito vencido até a referida data deve ser deduzido do produto do leilão, o
acórdão recorrido se alinhou ao referido precedente de observância
obrigatória", concluiu.
Na avaliação do advogado Raphael Cataldo Siston, essa decisão poderá
servir para que outros casos sejam julgados da mesma forma, aumentando
o estímulo para aquisições de imóveis em leilões judiciais, que se dará de
forma mais célere, além deixar o imóvel livre de pendências até o momento
da posse do adquirente.