28/06/2018

Compensação tributária salva a Atvos, da Odebrecht, do prejuízo

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte: Valor Econômico

Após registrar um prejuízo bilionário na temporada 2016/17, a Atvos
Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da Odebrecht, apresentou o balanço
da safra passada (2017/18), encerrada em março, com um lucro líquido de
R$ 308,3 milhões. O resultado positivo se deveu a compensações
tributárias.
A companhia, porém, teve uma despesa financeira de mais de R$ 1,5 bilhão,
o que a levou a consumir recursos próprios. O caixa da Atvos no fim do
exercício era de R$ 156,4 milhões, montante 34% menor do que um ano
antes e abaixo da dívida de curto prazo (que vencia em 12 meses) no fim da
safra. As informações foram publicadas no Diário Oficial de São Paulo na
terça-feira.
A Atvos lançou no balanço um crédito de R$ 1,6 bilhão referente a
"compensação de prejuízo fiscal e base negativa", efeito contábil que lhe
garantiu o resultado líquido positivo. A empresa também utilizou o
benefício fiscal da "depreciação acelerada incentivada rural", um
aproveitamento fiscal de gastos com formação de canavial e aquisição de
implementos agrícolas, o que assegurou R$ 42,5 milhões como movimento
de tributos diferidos.
Sem essas operações, a Atvos teria registrado prejuízo na safra. Antes de
pagamento de imposto de renda e da contribuição social, o resultado
líquido ficou negativo em R$ 1,3 bilhão.
A receita líquida da empresa no período caiu 4,2%, para R$ 4,242 bilhões. A
moagem de cana recuou 8%, para 25,8 milhões de toneladas. Em nota, a
Atvos explicou que seu resultado foi "impactado, principalmente, por
fatores climáticos, como estiagem prolongada e geadas", além da "queda
do preços de etanol no início da safra, decorrente do fim do crédito
presumido de PIS e Cofins", em 31 de dezembro de 2016, e "da alta oferta
do produto no final da safra 2016/17".
Em nota, Alexandre Perazzo, vice-presidente de finanças e relações com
investidores, atribuiu os baixos preços do etanol "ao alto volume de
importações no primeiro semestre". O executivo disse ainda que "o cenário
atual de câmbio e petróleo deve permitir uma recuperação dos preços da
safra 18/19 em relação aos praticados na safra anterior".
Na safra passada, a companhia reduziu seu custo operacional, o que
colaborou para seu lucro operacional saltar a R$ 132,2 milhões. Esse
resultado operacional, porém, não foi suficiente para garantir o resultado
líquido por causa da despesa financeira bilionária.
A dívida líquida total da companhia encerrou o ciclo com alta de 9%,
totalizando R$ 9,379 bilhões. Apenas a dívida de curto prazo no fim da safra
recuou 33%, para R$ 219 milhões. No entanto, o valor ainda superava o
montante que a companhia tinha em caixa na mesma data (R$ 156,4
milhões). Ao longo da temporada, a Atvos consumiu R$ 81,9 milhões de seu
caixa.
Nas notas explicativas do balanço, a empresa ainda informou ter
comunicado seus credores da renegociação dos prazos de pagamento de
seus débitos que venciam em breve em decorrência da paralisação dos
caminhoneiros, que interrompeu a operação em diversas usinas. Informou
ainda que "não espera efeitos significativos originários dessas
renegociações".