30/05/2018

Com greve, empresários do Rio pedem adiamento do recolhimento de impostos para garantir salários

Fonte: O Globo

RIO - Diante dos prejuízos causados pela greve dos caminhoneiros,
associações empresariais do Rio querem o adiamento do recolhimento de
impostos e a prorrogação da validade de notas fiscais para garantir o
pagamento dos salários em junho. Em nota conjunta assinada por
entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), a
Fecomércio-RJ e a Associação Comercial do Rio (ACRJ), o setor produtivo
disse ter sofrido "drástica redução dos negócios em todos os setores".
"É grande a preocupação das empresas do Rio de Janeiro com a
possibilidade de não pagamento dos salários em junho e de colapso da
produção em virtude da interrupção do fluxo de mercadorias. Tal fato
ocasionou drástica redução dos negócios em todos os setores", disse o
comunicado, acrescentando:
"Diante da gravidade da situação e do compromisso com a folha de
pagamento e com toda a cadeia produtiva, as entidades abaixo assinadas
propõem duas medidas imprescindíveis e emergenciais: adiamento do
recolhimento de impostos federais, estaduais e municipais pelo período de
um mês; e prorrogação da validade de notas fiscais para evitar multas, pois
muitas estão vencidas nos caminhões retidos."
A nota também é assinada pela Associação de Atacadistas e Distribuidores
do Estado do Rio (Aderj), pela Associação de Supermercadistas do Rio
(Asserj) e pelo Sindicato de Bares e Restaurantes do Município do Rio
(SindRio).
Em nota, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) disse que
é preciso “voltar a trabalhar”. Segundo a CNDL, os setores do comércio e
serviços no país deixaram de faturar cerca de R$ 27 bilhões com a
paralisação do transporte de carga.
“Com isso, a CNDL e o SPC Brasil avaliam que o crescimento do PIB (Produto
Interno Bruto) será menor do que o inicialmente esperado em 2018 e
poderá ser revisto para algo perto de 2%, inclusive com resultado negativo
no consolidado do segundo trimestre”, afirma o texto.
A entidade defende, ainda, que a “revisão do ICMS sobre os combustíveis,
a melhoria da infraestrutura, o custo dos tributos e o peso da máquina
pública precisam ser repensados”.
Como mostrou o GLOBO nesta quarta-feira, o economista da FGV Claudio
Considera calcula que o país deve ter perdido R$ 10 bilhões diários com a
greve. No Estado do Rio, a Federação das Indústrias (Firjan) calcula que a
paralisação causará perda de R$ 77 milhões no Produto Interno Bruto (PIB)
da indústria de transformação.
Segundo o SindRio, o prejuízo do setor de bares e restaurantes, nos oito
primeiros dias de greve, é de R$ 20 milhões, com queda de
aproximadamente 40% no movimento. No estado, o prejuízo chega a R$ 34
milhões.