02/05/2018

Brasil terá cota para exportar aço para EUA com base nos últimos três anos

Por Eliane Oliveira / Henrique Gomes Batista/Correspondente

Fonte: O Globo

BRASÍLIA, WASHINGTON E BRUXELAS - Assim como a Argentina, o Brasil
terá de se submeter a uma cota de exportação de aço calculada com base
na média dos últimos três anos para evitar uma sobretaxa de 25% sobre as
vendas de produtos siderúrgicos aos Estados Unidos, segundo fontes do
governo brasileiro que acompanham as negociações com o governo
Donald Trump. Os termos do acordo entre Brasil e EUA serão fechados até
o fim deste mês. Levando em conta o que foi exportado para os EUA em
2015, 2016 e 2017, o valor da cota deve ser equivalente a cerca de US$ 2,3
bilhões por ano.
Integrantes do governo Temer que acompanham a negociação acreditam,
contudo, que o Brasil pode ter um acordo melhor que os da Argentina e
da Coreia do Sul. Esta última aceitou reduzir em quase 30% suas
exportações para os EUA. O fato de o Brasil exportar aço semiacabado,
usado por muitas siderúrgicas americanas, pode ser um fator para garantir
uma cota maior ao produto brasileiro.
Assim que Donald Trump anunciou as sobretaxas, há pouco mais de um
mês, Brasil e outros países, entre os quais Argentina, Austrália e as nações
da União Europeia, iniciaram um processo de negociação para se livrarem
das sobretaxas. O primeiro acordo bilateral foi firmado pelos EUA com a
Coreia do Sul.
A isenção temporária das sobretaxas para esses países terminaria à meia
noite de segunda-feira. A Casa Branca, porém, decidiu prorrogar o benefício
até 1º de junho.
Integrantes do governo brasileiro disseram que as negociações entre Brasil
e EUA estão em fase final e podem ser anunciadas nos próximos dias — ou
seja, antes de acabar a prorrogação da isenção temporária do novo imposto
de importação americana.
A expectativa é que as exportações de alumínio também tenham de se
enquadrar em uma cota. Até esta terça, porém, empresários do setor não
tinham informação sobre como seria o acordo a ser firmado com os EUA,
que também anunciaram sobretaxa de 10% sobre as importações do
produto. A tarifa passará a vigorar, para o Brasil, a partir do dia 1º de junho,
se as partes não chegarem a um entendimento.
A Argentina anunciou nesta terça-feira os detalhes de um acordo final de
cotas para a venda de aço e alumínio ao mercado americano. Pela proposta,
os argentinos poderão exportar aos EUA, sem a sobretarifa de 25% para o
aço e 10% para o alumínio, 100% da média exportada nos últimos três anos
em alumínio e 135% do aço.
Com esta decisão, os argentinos poderão exportar 180 mil toneladas de aço
e a mesma quantidade de alumínio sem a sobretaxa.
Apesar de o governo argentino ter considerado que o acordo foi “um êxito”,
setores empresariais do país alertaram que a média dos últimos três anos
foi prejudicada principalmente pela baixa exportação de 2015 e 2016,
devido à crise energética enfrentada pela Argentina. Ou seja, não atende a
todo o potencial exportador do país.
União Europeia condena incerteza
Se a Casa Branca já deu um sinal verde no caso de Argentina, Austrália e
Brasil, ao afirmar que fechou acordos em princípio, alertou que as
negociações seguem em curso no caso de Canadá, México e União
Europeia, após prorrogar até o dia 1º de junho o aumento das tarifas de
importação para aço e alumínio. Ontem, a Comissão Europeia, braço
executivo do bloco europeu, exigiu isenção permanente das sobretaxas.
“A decisão dos EUA prolonga a incerteza do mercado, o que já está afetando
as decisões empresariais”, alegou a Comissão.
Sem a isenção de tarifas, a UE estaria submetida a sobretaxas de € 6,4
bilhões (US$ 7,7 bilhões) sobre metais que exporta anualmente para os
Estados Unidos. O bloco ameaça estabelecer suas próprias tarifas em € 2,8
bilhões sobre as exportações dos EUA, de maquiagens a motocicletas.