03/10/2018

Bradesco compra fatia de empresa de recuperação de crédito

Por: Ana Paula Ribeiro

Fonte: O Globo

SÃO PAULO - O Bradesco anunciou nesta terça-feira a compra de uma fatia
de 65% da RCB Investimentos, empresa que atua no segmento de
recuperação de créditos em atraso e possui uma carteira de R$ 20 bilhões
sob gestão. Na avaliação de Eurico Ramos Fabri, vice-presidente do banco,
a melhora da economia brasileira irá impulsionar esse mercado de compra
de créditos dado como perdidos, conhecido também como "não
performados".
— Não temos uma meta predefinida do valor que a carteira da RCB pode
chegar. No entanto, esse mercado deve se intensificar. Tem muito espaço
para crescer, principalmente nesse período em que estamos siando da
crise. Os bancos vão maturar a sua carteira e vão se concentrar mais do que
está ativo (créditos que estão sendo pagos em dia — disse, em
teleconferência com a imprensa.
O valor da operação não foi divulgado, mas O GLOBO apurou com fontes de
mercado que o valor desembolsado pelo Bradesco para a compra dessa
fatia de 65% da RCB foi de R$ 224 milhões. Procurada, a instituição
financeira não confirmou o valor.
Não há exclusividade nesse acordo. Ou seja, o Bradesco pode vender a sua
carteira de créditos em atraso para outras instituições e a RCB pode
comprar ativos de outros participantes desse mercado.
Segundo Fabri, a partir de agora a RCB irá explorar dois mercados. O
primeiro é a compra de carteira de crédito não performado de instituições
financeiras. Essas operações são aquelas que os bancos já tiraram do
balanço, considerando que são prejuízo devido ao prazo elevado de atraso.
Tirar isso do balanço, ou baixar, tem o nome contábil de "writte-off". Para
isso, a RCB irá montar e administrar dois fundos de investimento em
direitos creditórios (FIDC). Os créditos comprados vão para dentro dessa
carteira.
Além disso, a RCB passará a atuar no mercado de cobrança da carteira de
crédito ativa do Bradesco. Isso significa fazer a cobrança de operações que
estão com atrasos menores, o que normalmente é feito pelo próprio banco.
— Vamos ter um processo competitivo interno. A RCB e o departamento de
recuperação de ativos do Bradesco vão competir por parcelas da nossa
carteira de ativos. Uma parcela maior pode ir para um ou para outro de
acordo com a eficiência — explicou o vice-presidente do Bradesco.
A administração da empresa será compartilhada entre os fundadores da
RCB, antes controlada pelo PRA Group Brazil Investimentos, e por
executivos do Bradesco. A operação precisa ser aprovada por órgãos
reguladores. O Bradesco terá maioria no Conselho de Administração e irá
indicar dois dos três cargos de diretoria da RCB.
O Bradesco não é o primeiro grande banco a comprar uma empresa de
recuperação de crédito. Em dezembro de 2015, o Itaú Unibanco anunciou
a compra da Recovery, até então controlada pelo BTG Pactual.